Duas notas sobre acontecimentos recentes no Oriente Médio.

Em primeiro lugar eu preciso dizer que apoio a desocupação da Palestina pelo estado de Israel. Este é um crime absurdo que nós somos contemporâneos.

Militante do Hamas segura o Alcorão no escritorio de autoridade palestina

A imagem acima é tão emblemática que parece até uma ilustração. É um militante do Hamas sob a mesa de um escritório da autoridade palestina, na faixa de gaza. Em uma mão ele segura uma metralhadora, na outra mão o alcorão, ao fundo de um escritório ainda bagunçado pela batalha, a bandeira palestina e a foto do presidente Mahmoud Abbas e Yasser Arafat.

O Hamas, que perdeu as eleições presidenciais para Mahmoud Abbas (da Fatah) mas que conquistaram maioria no parlamento (74 de 132 cadeiras) nas ultimas eleições.

O Hamas é um grupo que luta por uma causa justa, mas através de meios que eu condeno. É estúpido acreditar que os fins justificam os meios. O que está acontecendo agora é algo que eu já vi acontecer muitas vezes, aquilo que é forte, se tornar também bruto.

Militantes do Hamas bebem energéticos depois da tomada de Gaza

As forças do Hamas agora miram agora para a própria Palestina e o povo palestino. O que o Hamas está fazendo é claramente um golpe de estado. O presidente Mahmoud Abb foi eleito através das vias democráticas, as mesmas vias que deram ao Hamas a maioria no parlamento. O que o Hamas está fazendo na faixa de Gaza é uma violação da democracia. Essas atitudes vão contra os anseios da população palestina e só vai aprofundar a crise que o pais já vive.

Tudo que a palestina não precisa agora é de um estado onde as armas e a religião sejam seus pilares. A desocupação não é uma questão religiosa, é uma questão política.

Hamas explosão gaza

Os métodos do Hamas e da Fatah se baseiam em armas e religião, dois refúgios para a ignorância, são meios ultrapassados.

Uma câmera de vídeo ou um blog podem ser muito mais poderosos que uma AK-47.

O que tem sido feito nos últimos dias leva para muito longe o sonho de paz na palestina.

Não muito longe dali, o segundo fato sobre o oriente médio que eu quero comentar é o desfecho do caso do engenheiro brasileiro João José Vasconcellos Júnior, desaparecido no Iraque desde 2005.

José Vasconcellos Júnior

Essa semana foram encontrados seus restos mortais. Mesmo que de uma maneira lamentável, é o fim da angústia da família do brasileiro.

Desde o inicio de seu seqüestro por rebeldes iraquianos autoridades das mais diversas religiões, e países e atletas do mundo todo fizeram pedidos para que João voltasse pra casa vivo e em segurança.

Mais uma vez, mesmo a ocupação americana não justificam um seqüestro e execução de qualquer pessoa, de qualquer nacionalidade. Mas o que me chamou a atenção foi que diversos outros casos tiveram um desfecho favorável, com as vítimas voltando para suas casas em segurança, mas no caso de João isso não aconteceu.

Todos sabem que o governo do Brasil foi contra a ocupação do Iraque pela coalizão americana. Não só isso, pode se dizer que o povo brasileiro foi contra a ocupação. E não só isso, nós somos um povo de tradição cortês, que não tem grandes apegos nacionalistas ou ódios xenófobos . Pode-se dizer que somos um povo pacífico e que repudiamos a guerra.

Somos conhecidos no mundo todo não por atrocidades ou por injustiças, mas pelo futebol e pelo carnaval. Não é algo que eu tenha vergonha, pelo contrário, é uma das coisas que me faz ter um carinho especial pelo Brasil.

Por que justamente com um brasileiro essa tragédia foi se abater? Só vejo dois casos possíveis: ou uma ignorância tremenda por parte dos seqüestradores aliada a uma falta de humanidade ou algum acidente aconteceu.