Não dá para eu não comentar a recente campanha do Estadão.

Campanha do Estadão atacam blogs

 

A primeira coisa que eu pensei quando eu vi isso foi: “os caras estão dizendo que os blogs são uma merda?”

Que os blogs são uma merda, acho que isso não é segredo pra ninguém. Eu não me incomodo com isso. Mas tem duas coisas nessa campanha que me chateam:

  • – Mexer com blogs, vá lá. Mas a campanha é um ataque ao que chamamos de web colaborativa (ou web 2.0) cujo maior expoente é a Wikipédia. Mexam com os blogs mas deixem a Wikipédia fora disso! Ela sim é um grande trabalho que tem sido muito importante para todos nós e um grande exemplo de trabalho assíncrono, distribuído e colaborativo.
  • - E os jornais são a alternativa a tudo isso? Em parte sim, eles dão conta de uma parte do recado, mas os jornais também são uma merda. Não é só o jornal impresso, mas a mídia convencional. Mas uma merda eles sempre foram, mas porque só agora eles ficaram histéricos?

O que eles estão dizendo com essa campanha é:

blogs são uma merda → jornais são o máximo

Essa → (setinha) se chama implicação.

A mídia convencional não é o máximo. Vejamos a história brasileira recente e estamos cheios de exemplos da falta de comprometimento dos jornais com o profissionalismo e com a verdade. Só para citar podemos lembrar da atuação da Globo nas vésperas das eleições de 89 ou Veja, Estadão e Globo mais recentemente no desastre do vôo Gol 1907.

Eu acho que os jornais tem o seu espaço, vão ter que se adaptar para conviver com a web, mas vão continuar tendo seu espaço dentro e fora da web. Mas há certos espaços que os jornais não conseguem ainda abocanhar e há outros que nunca vão conseguir.

multidão celular
- Levantem seus celulares!

Por exemplo, hoje em dia todo mundo tem celular, e quase todos tem câmera. Com o meu celular eu posso colocar um programa que envia a foto que eu tiro direto para o meus álbuns do flickr ou picassa. Com o mesmo celular eu posso postar isso no meu blog. Agora multiplique isso por centenas, milhares de pessoas espalhadas por todo o mundo. Milhares de pessoas com pensamento crítico (eu espero) estão próximas de onde vai acontecer a notícia. Temos a faca e o queijo na mão.

Isso tem incomodado os jornais. Eles não são mais os donos da verdade que sempre acharam que foram. Aliás, até um dia desses o jornalista era o único profissional que está habilitado para falar de tudo, sem saber de nada. Mas agora temos os blogueiros também!

Além disso, em que outro lugar vocês poderiam ler o que lêem aqui? Em que outro lugar vocês poderiam ver isso:

Homem cavalo doidão rodando
- roda roda roda roda…

Rá te peguei! Jornais de papel não tem gifs animados. Te peguei! E mesmo se algum dias no futuro eles usarem papeis do futuro reproduzindo vídeos e sons, quem mais teria coragem de por imagens totalmente sem sentido no meio de um texto?

Essa imagem tem sentido?
Viu? Essa foto não tem nada a ver com nada.

Bem, mas eu resolvi criar minha própria campanha:

Estadão, por onde você tem clicado hein?

Oh, e você pode fazer sua própria campanha. Os fontes da campanha estão aqui, basta usar o Gimp para editar. Disponíveis sob a licença Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0.

Banana Mario dançando

Façam as suas campanhas também!

Mas por outro lado, será que tudo isso não é um tremenda campanha viral? Faça uma campanha publicitária atacando os blogs e no outro dia você tem dezenas de blogs falando de você (falando mal, mas é de você). Quem sabe.

Bem, tem muitos outros caras falando disso também. Veja aqui, aqui, aqui, aqui ou aqui.

Playboy da Juliana PaesMas se você é um cara mais old school, saca só os preços de assinaturas de jornais e revistas!

Buscapé.