No episódio anterior eu joguei a idéia sobre escrever um livro usando o blog e escrevi o prefácio.

Screenshot “Vamos escrever um livro?”

Muita gente gostou e muita gente deu idéias e muitas idéias são muito boas e com certeza vão ser usadas. A coisa está caminhando bem acho que praticamente todo mundo entendeu o que eu estou tentando fazer e como eu estou tentando fazer.

Se alguém quiser fazer ilustrações, será muito bem vindo, desde que utilize uma licença Creative Commons bem permissiva e compatível com a licença que eu venho usando, a Creative Commons Share Alike.

Capítulo 1 – Telefones

Acho que a coisa toda começou assim. O ser humano sempre precisou se comunicar e por isso desenvolvemos um sistema complexo de comunicação que basicamente estruturado na fala. Depois alguém percebeu que a medida que as pessoas se distanciavam a conversa ia se tornando cada vez mais difícil. Nascia assim o grito (ainda muito popular nos dias de hoje).

Mas como você já deve ter percebido a essa altura da vida, nem tudo pode ser resolvido no grito. Foi com essa idéia na cabeça que Graham Bell (e tantos outros) inventaram o telefone. O tempo passa e a coisa vai melhorando: telefone com aquela rodinha, telefone com teclado alfa numérico, orelhão, telefone sem fio e finalmente o celular.

pilha de telefones celulares
A pilha de celulares de Nick Richards.

O problema é que o celular chegou e evoluiu muito depressa. Quando você descobriu que dá para olhar as horas pelo celular lançam um modelo mais novo com trocentas novidades e seu celular já ficou velho. Quando as pessoas estavam aprendendo a usar a agenda do celular lançam o iPhone.

A conseqüência disso tudo é que hoje quase ninguém sabe usar um celular direito e isso tem feito do mundo um lugar particularmente irritante.

Para começar pouca gente lembra que o celular é, antes de tudo, um telefone móvel. Celular não é peso de papel, abajur ou objeto para decorar sua mesa. Celular é para andar sempre com você! Celular é para ser que nem o Toddy, o seu companheiro de aventuras. Ninguém é obrigado a ficar ouvindo aquele seu toque ridículo de mp3 enquanto você sai do escritório para ir almoçar. E ainda pior, ninguém é obrigado a atender a porra do aparelho, descobrir quem é e ir te chamar. Secretária de telefone celular? Faça me um favor, leve seu celular sempre com você.

E falando em toque, vamos escolher os toques com responsabilidade criançada. Usar o toque do plantão da globo é covardia. Aquilo sempre acelera meu batimentos, dá pra matar alguém com aquilo. E não vou nem falar sobre colocar o celular no silencioso porque isso é coisa que era pra ser ensinada na alfabetização. Eu me recuso a tocar nesse assunto.

Aliás, se mais pessoas começarem a usar seus celulares direito, em breve, não haverá mais a necessidade de haver telefone fixo. Telefone fixo é uma desgraça , uma abominação que precisa ser varrida da face da terra. O telefone fixo não tem mais a menor utilidade e hoje é só um peso morto para a civilização. Vamos pensar nas étapas de um telefonema para um telefone fixo:

  • Primeiro você obriga a infeliz da criatura que por azar estava perto do telefone na hora que ele tocou a parar tudo que ela estava fazendo só para atende-lo. Isso é muita prepotência da sua parte.
  • Certamente você nem queria falar com esse pobre desgraçado e vai fazer ele ir descobrir se a pessoa com que você quer falar está em casa. O pobre coitado vai ter que sair pela casa berrando o nome do outro indivíduo até conseguir parar o que ele esta fazendo também ou descobrir que ele nem sequer está em casa.
  • Se a pessoa não está em casa, você vai ter voltar (ou não, caso você tenha telefone sem fio) ao telefone e dar a péssima notícia ao interlocutor. Pior aind, o imbecil vai ficar lhe fazendo mil perguntas que você não sabe responder como “hã? Quer horas ele volta?”, “Sabe onde ele foi?” ou “Você pode dar um recado pra ele?”.

E o pior disso tudo é que eu tenho certeza que você fez esse telefone só para discutir uma banalidade sem importância nenhuma. Certamente você poderia ter resolvido tudo por email. O certo não era nem dizer “alô?” quando se atende um telefone fixo, era pra se dizer “puta que pariu?”.

Só quem deveria ter telefone fixo são as repartições públicas, polícia e hospital. Então faça um favor ao mundo: não ligue para telefone fixo e não compre mais nenhum telefone fixo.